Vejo com frequência nos meus atendimentos, pacientes que não se alimentam corretamente e acreditam que para suprir a demanda de nutrientes tomam multivitamínicos (de A a Zinco) ou vitaminas/minerais isolados. Pois bem, ótimo seria se fosse simples assim... não comeríamos adequadamente, mas viveríamos a base de cápsulas e está tudo certo com a saúde.
Mas na prática, sabemos que além de existir interação entre nutrientes, outros fatores como saúde intestinal e adequado funcionamento do sistema digestivo, interferem para a absorção e aproveitamento dos mesmos.
> O que é interação entre nutrientes?
Na grande maioria dos casos, um nutriente depende de outro para ser transportado e/ou absorvido.
Vou dar exemplos para conseguirem visualizar melhor o que estou querendo dizer.
1) Magnésio - nutriente envolvido em inúmeros processos fisiológicos. Carência de magnésio pode levar a doenças cardiovasculares, neuromusculares, má absorção de nutrientes, Diabetes, alterações renais, etc.
O magnésio é fundamental para formação de serotonina (hormônio do bem estar), pois atua na conversão do aminoácido triptofano neste hormônio. Porém, para que essa conversão seja feita, são necessários ainda as vitaminas B6, B9 e B12. Sendo assim, resolve tomar um suplemento isolado de magnésio?
Caso clássico muito encontrado: osteoporose! A osteoporose e a osteopenia são doenças decorrentes de processos inflamatórios e nutrientes como o magnésio, cobre, zinco, manganês, cálcio, potássio, boro e vitamina D são importantes no tratamento dessas doenças. Resolve suplementar somente o cálcio? Além disso, excesso de cálcio pode levar a doenças cardiovasculares, por exemplo.
Outro caso comum, principalmente entre as mulheres: anemia. O que leva a anemia não é somente a carência de ferro, mas também de vitaminas A, B9, B12, B2,C, E, B6 e cobre.
Um extra em relação ao ferro: as
fórmulas de ferro geralmente são com sulfato ferroso, uma maneira barata
de administrar. Porém, o ferro nesse formato é absorvido em apenas 5%.
Esses exemplos mostram que os nutrientes atuam em conjunto, que um depente do outro para ter sucesso na sua função.
2) Um nutriente pode impedir a absorção do outro, assim como a forma de administração dos nutrientes podem diminuir a sua biodisponibilidade. Ferro e Cálcio na mesma fórmula, quando esses nutrientes não são prescritos de forma a aumentar a sua biodisponibilidade (o que é comum em multivitamínicos), competem pelo mesmo receptor. Ou seja, o indivíduo não aproveita o suplemento.
Altas doses de cálcio e ferro diminuem a biodisponibilidade do zinco.
Vitaminas do complexo B (B1, B2, B3, B5, B6, etc.) não devem ser consumidas junto às refeições, pois as fibras impedem sua absorção. E o ideal seria que essas vitaminas fossem ingeridas juntas, pois o aumento de uma pode levar a diminuição de outra do mesmo grupo.
A vitamina C, quando mais alta a sua dose, menor a absorção. 1g de vitamina C é absorvido em 50% e 30mg tem uma absorção aproximada de 87%.
Excesso de ferro, cobre e manganês diminui a capacidade de absorção de vitamina D.
Passaria um bom tempo aqui descrevendo mais milhões de interações.
A mensagem que quero passar é que antes de tomar qualquer suplemento vitamínico por conta própria, verifique se realmente você está carente desses nutrientes e procure um profissional para lhe passar uma prescrição inteligente, respeitando a sinergia dos nutrientes e lhe passando o que exatamente você está precisando, se realmente estiver precisando suplementar. Você já pode estar com excesso de algum nutrientes que pode ser tóxico, e estar tomando mais.
Como o próprio nome diz, suplemento serve para completar o que está faltando. Em excesso é eliminado, e bom seria se fosse, porém alguns podem ser tóxicos.
E lembrando que a melhor forma de absorção de nutrientes é através dos alimentos. A natureza é sábia!

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